22 maio 2015

Passando no vale

Davi atravessou o Cedrom apenas com a roupa do corpo e alguns mantimentos, todos os seus “tesouros”, haviam ficado em Jerusalém em poder do filho que intentava tomar seu lugar no trono. Para Davi, o lugar seco e escuro, era muito mais valioso que todo o ouro existente no palácio. O vale representava sua comunhão com Deus, a paz e a alegria da salvação. Ele estava triste e abatido, mas sabia que o vale, acabaria, desembocaria em um lugar de conforto, por isso, era necessário prosseguir, ainda que houvesse lágrimas, prantos. E assim como Jesus, o rei, acampou com o povo no Monte das Oliveiras: “E aconteceu que, chegando Davi ao cume, parou para adorar a Deus...” II Sm 15:32. O Vale de Cedrom é lugar de decisão. Os peregrinos rumavam para lá decididos a lançar fora tudo que os impedia de relacionar-se com Deus. Alguns choravam porque se desfaziam de objetos valiosos, outros eram hábeis em abandonar ali as abominações, na convicção de um novo modo de vida. Cedrom, sempre teve os mesmos desígnios tanto no Antigo como no Novo Testamento. Atravessar Cedrom significava se despojar de coisas que atrapalhavam o relacionamento com Deus. Foi assim com Davi, e creio ser isso que Jesus ensinou aos discípulos nas muitas vezes que por ali passou. Cedrom em Nossas Vidas Davi nos deixa a lição de que o Vale é lugar de comunhão: Ele preferiu o sofrimento de atravessar o vale a ter que guerrear com o filho Absalão, o que lhe traria amargura e inquietação no coração. Entre perder coisas e ganhar pessoas, Davi opta por vidas, na certeza de cumprir a vontade de Deus que concede o homem como bem mais precioso do universo. Cedrom tem começo, meio e fim. Nós escolhemos como atravessá-lo. As orações que Davi fez enquanto atravessava Cedrom, estão registradas no Salmo de número 3. Aqui apenas alguns versículos: “Tu Senhor és um escudo para mim, a minha glória e o que exalta a minha cabeça, com a minha voz clamei ao Senhor, e ouviu-me desde o santo monte. Eu me deitei e dormi, acordei porque o Senhor me sustentou” (vs 1, 2,3) O percurso não foi só de pranto, foi de milagres. Deus sustenta, aos seus filhos! Jamais os abandona. Ainda que a dor pareça não ter fim, mas o que confia é sustentado. É que a dor e a decepção poderiam ser maiores. Sem esperança e fé, ninguém enxerga o Jardim no final do Vale. Assim como Jesus atravessava o vale na companhia dos discípulos, Ele também atravessa conosco: “Quando passares pelas águas estarei contigo, e quando pelos rios, eles não te submergirão, quando passares pelo fogo, não te queimarás, nem a chama arderá em ti” Is 43:2 Passar por Cedrom implica renovar forças, firmar compromissos. Igualmente aos peregrinos da época de Jeosafá, que largavam ali as impurezas, as abominações de culto. Sofrer e não crescer, é vão.  "Ninguém banha- se duas vezes no mesmo rio”, dizia Heráclito de Éfeso. Na segunda vez, nem a pessoa nem o rio serão os mesmos. Se a água não se renovar, algo está errado. “Torrentes de água, correm pelo vale no inverno”. Sim, as torrentes, removerão “as marcas do séquito verão.” Ao passar por “Cedrom”, lembre-se: Após o vale, fica o jardim. Há milagres, na travessia. Cabe a nós deixar no vale da decisão o que nos impede de ter intimidade com Deus. Em Cristo Jesus. 

Por: Wilma Rejane 

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